O racismo nosso de cada dia

Dois casos de racismo, o de um site de uma maternidade e o de uma concessionária, chamaram atenção e evidenciaram, mais uma vez, o racismo nosso de cada dia. Até quando conviveremos com o preconceito e nos depararemos com notícias assim?


O site da Maternidade e Hospital Santa Joana, em São Paulo, teve que remover um artigo cujo título era: "Minha filha tem o cabelo muito crespo. A partir de qual idade posso alisá-lo?". No texto se incentiva e se defende o alisamento "para deixar as crianças mais bonitas". Então, ter cabelo crespo não é sinal de beleza? Apenas o cabelo liso classificaria uma criança como bonita? É isso mesmo? 


A revolta foi tão grande que a maternidade retirou o texto e em notal disse que "não foi de sua intenção ofender qualquer pessoa" e que o texto tinha finalidade "puramente informativa, com o intuito de orientar as mães no que diz respeito à utilização de produtos químicos em crianças, de acordo com as normas da Anvisa".


O advogado Sílvio Luiz de Almeida, presidente do Instituto Luiz Gama, que atua na defesa de negros, minorias e direitos humanos deixou clara sua insastifação com o ocorrido: "É não reconhecer uma característica que é natural dos afrodescendentes, considerando o cabelo como algo indesejado, inferior. Eles podem até dizer que só estão respondendo a uma pergunta, mas estão reproduzindo práticas racistas."

No texto, havia a foto de uma menina negro, conforme mostra a imagem abaixo:



Leia também o caso da estagiária que se recusa a alisar cabelo e é hostilizada no trabalho.

No Rio, um menino negro de 7 anos, cujos pais adotivos são brancos, foi expulso de uma concessionária pelo gerente, pois este achou que o garoto encontrava-se sozinho e era um incomodo aos clientes da loja. “Esses meninos ficam pedindo dinheiro aos clientes!" e "Essa loja não é lugar para você, pode sair daqui!” teriam sido frases ditas pelo gerente, que ao saber quem eram os pais do menino ficou sem reação.“Ainda que meu filho fosse uma criança desamparada, não poderiam ter agido daquela forma. Ele não estava interpelando ninguém”, desabafou a mãe. O menino, há 5 anos com a família, não percebeu a discriminação. “Ele perguntou o motivo de não aceitarem crianças na loja se a TV estava ligada num canal infantil”. 

Assista ao depoimento do casal, que criou no Facebook uma página chamada "Preconceito Não é Mal-entendido" para combater o preconceito racial: 




Diante de tais casos, como negar que a sociedade brasileira não é racista, como muitos insistem em dizer? Sempre falei e falo: somos um país racista, sim! Nosso racismo é mascarado, escondido, e não escancarado. Nesse sentido, qual mal seria o mais perigoso: o que está ao alcance de nossos olhos, ou o que não está, que se manifesta escondido e no silêncio?  

Casos assim não podem continuar ocorrendo nem cabem a um país com uma diversidade étnica tão grande quanto o nosso. Julgar alguém pela sua cor de pele, assim como estabelecer um padrão de beleza baseado em tipo de cabelo, nariz, lábios, é absolutamente ridículo, repudiável e asqueroso. 

Por fim, deixo o relato de Helder Santos, vítima de racismo há dois anos em Jaguarão por parte da Brigada Militar, a Polícia Militar do Rio Grande do Sul. Helder sofreu várias ameaças dos "brigadianos" e teve que abandonar a cidade, deixando de lado seus sonhos:




                                   Assisti à história de Helder quando lia o Contexto Livre.


Acabemos com o preconceito contra o negro, contra os homossexuais, contra os deficientes, enfim, acabemos com qualquer tipo de preconceito! Assim, só assim, teremos uma sociedade mais justa e igual!


"Se o racismo é um sentimento preconceituoso, daquele que se julga superior, então deveria ser ele o discriminado, pois quem mais poderia ser visto em sua extrema inferioridade senão o portador de tal arrogância, entre os da mesma raça?" Ivan Teorilang



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