Um apanhado geral de Suburbia

Dia 20 de dezembro, terminou Suburbia, a minissérie da Rede Globo, que fez tanto sucesso que virou até história em quadrinho, sendo a primeira a alcançar essa proeza. Clique e conheça um pouco sobre sua história, suas músicas e veja algumas fotos. 

Não poderia deixar de registrar, apesar de que com atraso, Suburbia, uma grata surpresa por apresentar um elenco (praticamente todo de negros) inexperiente, mas talentosíssimo, uma protagonista brilhante, meiga e linda, além de debater, com descomunal inteligência, a religião. Em suma, foi uma minissérie que merece ser lembrada. Por isso, trago esta crônica de Patrícia Villalba, da Veja:

                                 'Suburbia' faz um mergulho além da "nova classe C"

"A teledramaturgia não sobreviveria sem os estereótipos. Sempre empregado de maneira pejorativa quando se quer definir um personagem, o termo é um dos pilares das novelas – é usá-lo ou subvertê-lo, o que na maioria das vezes soa artificial. Fora todos os componentes, em especial o apuro técnico, que elevam sua obra televisiva ao status inegável de arte, o trabalho do diretor Luiz Fernando Carvalho é sempre surpreendente porque parece dispensar os tais estereótipos sem fazer força.
A TV brasileira nunca viu um retrato do subúrbio como mostrou a minissérie Suburbia, que chega ao fim hoje na Globo (23h50). Num momento em que qualquer personagem sem dinheiro no bolso é associado à tentativa das emissoras de fisgar a classe que agora tem TV paga e consome sem parar, o diretor preferiu voltar aos anos 90 e dispensar a euforia irreal  e cansativa do orgulho suburbano. Retratou os miseráveis e os pobres pré-Bolsa Família, em sua plena dignidade. Já em tese é, no mínimo, louvável.

Ana Pérola, como Jéssica:
aprendam, periguetes
  A história, que Carvalho assina com Paulo Lins (não por acaso autor de Cidade de Deus), não chega a ser incrível. A sensibilidade com que foi contada, entretanto, é o que faz dela especial. Muitas vezes poética, outras tantas hipnótica, em dois ou três momentos crua, a narrativa deslumbrou, emocionou e causou algum estranhamento no telespectador – difícil foi ficar indiferente. O que dizer de uma cena de estupro que acontece do nada, dramática sem ser dramalhão, e ao som de Roberto Carlos?
Carvalho talvez seja o diretor de TV que melhor sabe filmar mulheres. Com naturalidade, transforma moças belas em deusas – Simone Spoladore, em Os Maias (2001); Letícia Sabatella, em Hoje É Dia de Maria (2005); Mayana Neiva, em A Pedra do Reino (2007); Letícia Persilles e Maria Fernanda Cândido, em Capitu (2008); Paola Oliveira e Bruna Linzmeyer, em Afinal, O que Querem As Mulheres? (2010).

Em Suburbia, ele arriscou lançar uma desconhecida como protagonista. Linda, Erika Januza é sonhadora como a Conceição, e também vencera concursos de beleza no interior de Minas. Mas o que poderia ser um desastre – como já aconteceu com outras atrizes iniciantes –, virou trunfo porque o diretor soube aproveitar a inexperiência dela na composição da personagem, com toda a doçura, a falta de malícia associada à sensualidade gritante, misturadas a uma certa mineirice. Que as agora onipresentes periguetes da teledramaturgia aprendam com ela e com a Jéssica de Ana Pérola – está com a elas a sempre citada “sensualidade da mulher da periferia” que as estrelas da TV tentam imitar.

Dani Ornellas como Vera:
interpretação iluminada,
além das "crentes
surtadas" de novela
Mas é o experiente Fabrício Oliveira o maior destaque do elenco. Verdadeiro príncipe suburbano, Cleiton conquistou pelos pequenos gestos – como quando, no baile funk, pagou bebida para todo o grupo na tentativa de impressionar Conceição ou quando ensinou a namorada a ler e escrever – e partiu o coração das telespectadoras quando caiu morto no final do capítulo da semana passada. Com perdão, um spoiler: ele não morreu, e se tornará pastor.
A religiosidade, também vale dizer, permeou a minissérie com muita inteligência. A maior prova disso é a composição da personagem Vera (Dani Ornellas, em iluminada interpretação), ex-ladra, ex-prostituta e ex-namorada de bandido que se converteu evangélica – e com todo fervor. Mas longe de ser uma daquelas crentes surtadas que se costuma ver em novelas, ela deu o recado de sua fé, pegou no pé de Conceição e dos irmãos, mas saiu, sem qualquer crise, na procissão católica que comemorou o aniversário do pai, Seu Aloysio (Haroldo Costa – que bom vê-lo como ator).
Com personagens tão ricos e cheios de camadas que se deixam apreender apenas pelo olhar dos atores, Suburbia termina hoje deixando uma pergunta que a própria televisão deve se fazer: estereótipo pra quê?" 


Via Veja


Obs.: Que uma evangélica saindo, "sem qualquer crise", em uma procissão católica sirva de exemplo a ser seguido para que tenhamos uma sociedade de mais união, de mais fraternidade, de mais amor.



Ouça algumas canções que embalaram a trilha sonora, a qual misturou funk, jongo e samba:



"Garota Nota 100", de MC Marcinho



"As Canções que Você Fez Para Mim", de Roberto Carlos



"As Rosas Não Falam", de Cartola






Veja algumas fotos de Suburbia:











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Abraço!

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