A festa do RIO

Não, não é uma festa grandiosa do Rio de Janeiro. É uma festa religiosa que acontece a mais de cem anos no sertão nordestino, com a presença excepecional de nada menos que centenas de prostitutas.

A festa ocorre na pacata cidade de Boa Saúde do interior do estado do Rio Grande do Norte, apenas 80 quilômetros da capital. A festa é pública, ocorre todos os anos no primeiro dia do mês de fevereiro, dia da padroeira da cidade.

A festa mais parece um festival da fertilidade. Funciona da seguinte maneira:
Centenas de prostitutas que chegam em caminhões, ônibus ou paus de araras, descem no leito seco do rio Trairy, lá elas se deparam com com uma multidão de homens. Eles pagam um valor simbólico para terem relações sexuais com as mulheres, pode ser um real, não importa. De lá eles se dirigem para pequenos quartos improvisados ali próximo. Tudo isso ocorre durante o dia. Quando chega a noite, as mulheres se despem no leito do rio, e não vão mais para os quartos, transam ali mesmo transformando o fim da festa em um grande bacanal.

O curioso é que se trata de uma festa religiosa, ninguém sabe dizer ao certo o que tem haver as prostitutas com a padroeira. A festa se trata de uma tradição secular a ser mantida e preservada. E aqueles que queiram se aventurar pela festa alguns cuidados:

Não levem amigas, ela correrá um sério risco de ser estuprada, já que o intuito é fazer sexo sem restrição, sua amiga negando participar da 'brincadeira' com certeza jamais irá esquecer a festa do rio ou pelo menos sair viva de lá.
Leve muitas camisinhas ou vai sair de lá pelo menos com três doenças venéreas.
A festa já foi tema de um micro documentário produzido pelo Buca Dantas que retrata a festa da seguinte maneira:

" Enquanto há luz natural os casais procuram uma moita afastada, mas quando a noite cai, a festa atinge o clímax. Sexo em grupo, sem nenhuma cerimônia. Em cima da ponte já não há mais ninguém. O breu da noite apagou a tela. Foram ver a novena. Lá embaixo um rio de gente, fluindo nas ondas do sexo. Tudo isso sem a presença de um único policial. E nem precisa, pois a cerimônia é religiosa!É uma beleza chocante, quase impossível, indescritível, inimaginável, No entanto, não se pode ignorar um evento que traduz nada mais que uma beleza profana, sempre velada, à margem da sociedade, e sobre a qual não nos caberia nenhum juízo de valor, afinal estamos diante de um fenômeno sociológico que apenas carece de um olhar franco, ausente de preconceitos.
É o paradoxo da beleza.
Acontecimento inédito capaz de chamar a atenção; de causar até admiração! É o belo sem pudor, sem ostentação.
Imaginem uma beleza sem elegância, sem requinte e sem delicadeza; sem encanto e sem princesa; sem suntuosidade e sem fascinação; sem anjo, sem lírio e sem mimo; sem diva e sem ninfa, sem deusa nem rosa, sem fada, sem nada. Nem sublime nem solene, nem poético, nem suave, nem doce, nem suntuoso, nem mágico, porém pitoresco e inconcebível; de extraordinária tentação e esplêndida sedução. "

Aqui o micro documentário, que não mostra cenas de sexo, mas nos situa por dentro da festa.


           

                                                                                                             


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